terça-feira, 30 de julho de 2013

O PandAmbulância

Uma equipa de espanhóis num Jipe viram na nossa paragem no topo de uma duna uma oportunidade de nos ultrapassarem.

Infelizmente a razão pela qual tínhamos parado tinha sido por se tratar de uma duna demasiado íngreme, pelo que literalmente levantaram voo, aterrando capotados no fundo.

Por sorte estávamos por perto e bem equipados para os socorrer.

Estou sim, Assistência em Viagem?

O Deserto é exigente para condutores e viaturas, e a nossa Pandeireta teve a sua quota parte de problemas. Após um troço particularmente pedregoso partimos a ligação da manete de velocidades à caixa e ficámos parados a dezenas de quilómetros da estrada e povoação mais próximas.

Mas quando há vontade tudo se consegue, e o Dinis, após uma cuidada cirurgia mecânica, lá cozinhou uma solução com umas cintas que nos permitiu engrenar a primeira e segunda e, assim, regressar a Erfoud para reparações.

Nómadas

Numa das 20 vezes que ficámos atolados no Erg Chebbi presenciámos a passagem de uma caravana de nómadas.

Parámos momentaneamente de trabalhar e ficámos só a observar aquele pedaço da vida do Deserto cada vez mais raro...

Restaurante Chez Désert

Na nossa primeira refeição em Deserto resolvemos fazer a coisa com estilo e montámos o nosso restaurante imaginário.

Nascia assim o Chez Désert! 

Três fazem uma LF Team

Eram dezenas as apostas que vaticinavam que não passávamos de Lisboa, que não chegávamos ao Algarve, que voltávamos de avião.

Mas fomos, fizémos e voltámos. Esta aventura serviu para nos recordar uma vez mais que o primeiro passo para conseguir é acreditar. 

E foi a acreditar que surgiu a LF Team.

David Carvalhão e Dinis Santiago, montados num potentíssimo Fiat Panda de 1991de 900cc e tracção às rodas dianteiras que custou 300 € (carinhosamente baptizado de Pandeireta por Adriana Moutinho em memória a um semelhante pedaço de lata que no passado lhe morreu nas mãos), constituem a equipa criada para este desafio mas que já tem os próximos em mente.

O repousar do deus

Esta fotografia foi tirada no regresso a Erfoud, após horas sozinhos no meio de nada a tentar reparar a caixa de velocidades do Pandeireta.

Num sítio onde o Sol não se limita a dar vida mas a tira com a mesma facilidade, como se pode não respeitá-lo como um deus?


Novos amigos

Após a noite mais fria de toda a expedição, onde dormimos acampados na orla do Erg Chebbi, acordámos para encontrar várias crianças locais nas imediações.

Aproveitámos para lhes dar algum do material que trazíamos e ouvir um pouco das histórias que têm de crescer num dos Grandes Desertos de Dunas.

Banho de civilização

Quando se passamos os dias rodeados de pedra e areia de perder de vista, mesmo a chegada a uma povoação pequena como Rissani trás consigo uma sensação estranha de regresso à civilização.

Na fotografia vemos a rua principal, onde fomos encontrar uma bomba de gasolina sobre rodas (!), ainda que devido a estarmos algo atrasados não nos tenha sido possível tirar uma fotografia.




Os novos dromedários

O meio de transporte mais comum do deserto é andar a pé.

Mas o segundo meio de transporte mais comum são umas pequenas motorizadas com pedais, que passam a bicicletas quando a gasolina se acaba o que, quando se viaja sem civilização à vista, parece-nos ser uma óptima ideia.


Os olhos da gratidão

Há olhares que dispensam palavras. E apesar da barreira cultural e linguística, há olhares que dizem tudo. E que fazem com que todo o esforço valha a pena.

Guias improvisados

O GPS tem um utilidade limitada quando não existem quaisquer pontos de referência fixos e os mapas disponíveis estão escandalosamente desactualizados.

Por isso quando encontrámos uns locais a passar nesta estrada (sim, isto é quase uma auto-estrada pelos padrões do deserto) pedimos-lhe que, a troco a alguma gasolina, nos indicassem o caminho até a um rio de areia que, curiosamente, parecia ter mudado de sítio relativamente ao que tínhamos no mapa.

Parece que não é incomum.

Não somos senão sombras

Esta é talvez a fotografia mais emblemática de toda a viagem.

Após termos passado algumas horas a prestar assistência e primeiros socorros aos ocupantes de um jipe que capotou ao nosso lado, decidimos ainda assim terminar o percurso desse dia.

No entanto, o atraso que sofremos e o facto de termos perdido o macaco que nos permitia desatascar o carro levou a que ficássemos presos no cimo de um monte de areia no meio de nada.

Após horas de tentativas vãs, e já noite cerrada e o frio a apertar, decidimos subir para cima do carro e tirar uma fotografia de exposição longa para tentar capturar o ambiente circundante.

Foi aqui que o deserto nos deu mais uma lição. Longe de qualquer luz humana e na mais completa escuridão, a máquina fotográfica mostrou-nos a nossa insignificância: nada mais do que sombras contra um céu estrelado perfeito.

Pronto a vestir Marroquino

Parte da nossa carga era constituída por roupa para criança. Por isso quando encontrávamos algumas crianças carenciadas, montávamos o nosso estaminé e abríamos no nosso pronto-a-vestir para crianças.

Oásis oculto

Sem dúvida um dos momentos mais surpreendentes da viagem.

Saídos de Erfoud a caminho de Essaouria, estávamos a fazer estrada em cenário de deserto a perder de vista. Mas Marrocos tem tanto de belo como inesperado, e quando a estrada começou a descer apercebemo-nos da existência de um oásis enorme escondido num vale que, como se encontrava a uma cota inferior ao resto da planície, era virtualmente invisível.

É difícil de explicar a sensação de encontrar, inesperadamente, vida no meio da desolação...

Um dia de sorte

Há dias que são de azar. E outros que pensamos que são de azar mas que são de sorte.

Um jipe com dois espanhóis decidiu ultrapassar-nos a alta velocidade quando nos encontrávamos no cimo de uma duna. O que eles não compreenderam, apesar do nosso gesticular, é que estávamos parados porque a duna do outro lado era perigosamente íngreme.

Como resultado voaram uns 8 metros e capotaram, ficando com alguns ferimentos.

No meio do Erg Chebbi, podem passar dias até que alguém nos encontre, por isso foi uma sorte incrível terem-se acidentado ao nosso lado. Especialmente porque trazíamos o carro repleto de material de primeiros-socorros e o Dinis tem formação do INEM, pelo que tiveram assistência imediata durante as horas em que tentávamos, via rádio, guiar a ajuda médica até à nossa posição.

Autocarros do Deserto

E ainda nos queixamos dos transportes públicos em Portugal...

Pequenos sobreviventes

Um dos aspectos mais surpreendentes da nossa viagem foi sem dúvida o contexto em que encontrávamos crianças pelo caminho. Não era raro encontrarmos duas ou três crianças com menos de 6 anos em pleno deserto, no meio de nada, sem pais, gado ou casa à vista.

Esta fotografia foi tirada quando nos afastávamos  de duas delas, uma miúda com os seus 5 anos e um miúdo com os seus 3 anos, a quem deixámos algum material de ajuda, sem que conseguíssemos no entanto perceber porque ali estavam.

O interminável caminho do Atlântico

Um grupo de portugueses da nossa expedição teve problemas mecânicos o que o obrigou a ficar em Erfoud em reparações. Decidimos ficar para trás com eles, para prestar o apoio possível.

Resolvido o conflicto com um carburador teimoso, pusémo-nos a caminho de Essaouira, tentando apanhar o resto do grupo, fazendo um percurso directo de 720 kms que, com a nossas limitações de motor e qualidade da estrada, representou quase 11 horas de condução contínua.

Os filhos do Erg Chebbi

O Erg Chebbi é um dos dois grandes Ergs do Sahara. Estas grandes extensões de dunas de areia, que se movem como ondas gigantescas ao longo de anos, são a imagem mais comum que temos em mente quando pensamos na palavra "deserto".

Mas mesmo nesta vasta desolação a Vida decorre, e aquilo que para nós europeus é tão assustador é, para as crianças locais, o seu local de recreio.


O primeiro sabor a Deserto

Logo após a passagem pelo Monte Atlas, entrámos em deserto.

As fotografias não transmitem nem um pouco da beleza de toda aquela desolação a perder de vista...

A passagem do Atlas

A passagem do Atlas é uma viagem de contrastes.

Passámos um dia a viajar em ambiente desértico, tendo chegado ao local de acampamento já com noite cerrada, com muito frio e alguma neve. Qual não foi a nossa surpresa quando na manhã seguinte, ao acordar, descobrimos que estávamos numa vasta planície gelada, com os picos nevados do Atlas ao fundo.

O traiçoeiro deserto de Erg Chebbi

Se deserto é traiçoeiro, o Erg Chebbi é o pai dos desertos.

Um jipe capota ao fundo de uma duna, depois de nos ultrapassar a alta velocidade quando nos encontrávamos parados no cimo a preparar a descida da encosta mais íngreme. Voaram literalmente para o fundo, tendo ficado feridos. Por sorte trazíamos o carro cheio de material médico e pedimos de imediato ajuda pelo rádio, pelo que não houve consequências de maior.

Na segunda fotografia, um dos dezenas de atascanços em areia solta. Aqui, se não vamos devagar, corremos o risco de capotar. Se vamos devagar, atascamos. Ainda hoje falamos do cansaço que sentíamos de cada vez que saímos do carro para, ao sol, escavar a areia e elevar o carro.